Crônica de Dr. Jorge Lordello
Um alpinista escalava uma montanha de gelo, quando repentinamente escureceu. Ele não enxergava nada, mas mesmo assim não podia ficar parado, pois o frio o acabaria matando. Continuou a subir, mas acabou escorregando e despencou montanha abaixo. Pensava na proximidade da morte quando sente um fortíssimo solavanco proporcionado pelo esticar da corda a qual estava amarrado em sua cintura.
O alpinista fica pendurado e pensa: "O frio vai me matar. Está muito escuro. Meu Deus me ajuda". De repente, uma voz soa no ar: "Você crê em mim?". O homem berra: "Claro Senhor, me salva, por favor,". E a voz novamente se manifesta: "Então, corta a corda a qual estás amarrado". O alpinista sente um frio na espinha e agarra-se ainda mais a corda. Pergunto ao amigo leitor: "Você cortaria a corda?". A equipe de resgate, no dia seguinte, encontrou o alpinista morto, agarrado as cordas a apenas 3 metros do solo. "Cortar a corda", significa romper barreiras, acreditar nos seus ideais, colocar em prática aquilo que você deseja.
Toda vez que o amigo leitor preferir a omissão da ação, morre-se aos poucos. Não adianta só "querer", precisamos "agir", para o que o Universo possa fazer a sua parte e colaborar com a gente. Devemos sistematicamente trocar a ação pela omissão.
O tema de hoje fez-me lembrar de uma de fé e amor. Uma anciã morava em um casebre humilde com sua netinha de 6 anos, que perdera os pais muito cedo. Ela estava extremamente doente e não tinha forca nem para sair da cama. A avó tentava curá-la com ervas medicinais, mas a pobre criança piorava a cada dia. Mesmo sem dinheiro a vovó resolveu iniciar uma caminhada de pelo menos 3 horas, até o pronto socorro mais próximo em busca ajuda.
Chegando no hospital foi aconselhada a voltar pra casa e trazer a neta no colo, pois a única ambulância estava quebrada. A velhinha ficou arrasada mas não perdeu as esperanças. Deu meia volta e resolveu buscar sua netinha nos braços. No caminho de volta, a senhora passou em frente a uma Igreja e como tinha muita fé em Deus, resolveu orar. Ao entrar, foi recebida por algumas fieis que se inteiraram do problema e se prontificaram a orar pela criança. Após quase uma hora de fervorosas preces e pedidos de intercessão ao Pai, a vovó se manifestou: "Eu também gostaria de fazer uma oração, da minha maneira". Vendo que se tratava de uma mulher de pouca cultura, as religiosas retrucaram: "Não é necessário, com nossas orações, sua neta irá melhorar".
Mesmo assim a idosa insistiu em rezar em voz alta: "Deus, sou eu, a Vovó Maria. Minha netinha está acamada. Por isso eu gostaria que o Senhor fosse lá, curar ela. Vou explicar direitinho onde fica minha casinha de madeira. Se achar melhor pode pegar uma caneta pois é um pouco complicado chegar lá".
As senhoras estranharam, mas continuaram ouvindo: "Você vai seguindo o caminho daqui de volta e quando passar a ponte do riacho você entra na segunda estradinha de barro, não vai errar tá". A essa altura as fiéis já estavam se esforçando para não rir, mas a vovó não parava de orar: "Seguindo mais uns 20 minutinhos tem uma vendinha e aí o Senhor entra na rua depois da mangueira, que o meu barraquinho é o último da viela. A porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. O Senhor pode pegar a chave, entrar e curar minha netinha. Mas olha só Deus, não se esqueça de colocar a chave embaixo do tapetinho senão eu não consigo entrar quando chegar a casa”. As religiosas interromperam a oração da vovó e disseram que não era assim que se orava. A anciã retomou seu caminho e ao chegar a casa foi recebida por sua netinha que veio correndo lhe dar um beijo, totalmente curada. A avó comentou: "Querida, você está de pé, como é possível!”. E a menina explicou: "Eu ouvi um barulho na porta e pensei que era a senhora voltando. Porém entrou um homem muito alto, de barba com um vestido branco e mandou que eu levantasse. Não sei como, eu simplesmente levantei". E quase em prantos, a menina completou: "Depois ele sorriu, beijou minha testa e disse que tinha de ir embora, mas pediu que eu avisasse a senhora que ele ia deixar a chave embaixo do tapetinho vermelho..."
A vovó da história nos deu uma lição de vida, fé e esperança.Mesmo com todas as dificuldades,ela lutou, fez a sua parte, "cortou a corda" e foi recompensada por isso. Gostaria que o amigo leitor refletisse um pouco: O que você vem protelando em sua vida? Não deixe para amanha o que deveria fazer hoje. Antigamente pensava-se que para agir era preciso sentir. Recentemente descobriu-se que devemos primeiro colocar ação, que a vontade aparece naturalmente. Não aprendemos a andar de bicicleta na sala de aula. Não encontramos um grande amor, sem sair de casa.
Ninguém vai saber de seu amor, se você não se declarar. Cabe a nós dar o ponta pé inicial. Temos que fazer a nossa parte. Chega de pensar, estudar, programar, refletir... Lembre-se, amigo leitor, o importante é começar e para isso temos que "cortar a corda".